
Márcio Dabliueme é o tipo de sujeito que o algoritmo não sabe muito bem onde colocar. Produtor musical, compositor, curador de frequências, catador de discos esquecidos e diretor da Fyabomb Records e da Rádio Fyabomb, trabalha na fronteira onde a música deixa de ser produto e volta a ser linguagem.
Enquanto boa parte da indústria passa o dia tentando descobrir “o som do momento”, Dabliueme prefere escavar o tempo. Jazz, rap, reggae, raggamuffin, MPB de garagem, gravações obscuras de décadas passadas e qualquer coisa que tenha alma acabam entrando no caldeirão. O resultado costuma nascer em MPCs, loops improváveis e timbres ressuscitados de arquivos que o mercado já teria aposentado.
Ele tem uma relação curiosa com a música brasileira: trata o passado como matéria-prima, não como museu. Samples da velha guarda aparecem reorganizados, desmontados e remontados em beats que conversam tanto com o underground global quanto com o quintal cultural do Brasil profundo.
Dabliueme também é poeta nas horas em que o sampler respira. Muitas de suas produções misturam poesia autoral com colagens sonoras, criando peças que às vezes parecem música, às vezes parecem manifesto, e às vezes parecem apenas alguém conversando com o futuro.
Como fundador da Rádio Fyabomb, decidiu fazer algo quase herético no século XXI: uma rádio que não corre atrás de hype. A proposta é simples e, por isso mesmo, radical. Transmitir música independente, gravações que nasceram fora do radar das grandes gravadoras e artistas que ainda acreditam que cultura não precisa pedir permissão para existir.
No currículo invisível de Dabliueme constam atividades como:
garimpar discos ignorados, produzir beats fora de época, desconfiar de tendências, defender a cultura independente e ocasionalmente lembrar ao mundo que o underground sempre foi o verdadeiro laboratório da música.
Alguns chamariam isso de curadoria.
Outros chamariam de teimosia estética.
Ele prefere chamar de trabalho.
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